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sexta-feira, 13 de março de 2009

Aquela que vi subindo a rua na madrugada de chuva, que surgiu em meio ao nada trazendo contigo todas as coisas que eu nem ao menos imaginava existir, ela, mulher benfeitora de toda existência.

E eu do alto da janela a contemplar, ah sim a contemplar!

Seu semblante molhado não só da chuva fina que caia, mas também penso eu de toda a escória, maldade e infelicidade que seus passos deixavam para traz e a cada novo levitar pela calçada a certeza de toda paz, esperança e amor que o caminho a ela conduzia, junto a mim, sonho eu.

Toda passividade senti ao dizer a ela que poderia se adoecer com aquela chuva quando simplesmente ela me respondeu relaxe e continuou, virando a esquina e sumindo, minto, nunca sumiu, apenas continuou em seu percurso até sua casa permanecendo na minha vida desde então. E por ela, somente por ela bendigo todas as coisas boas e não só as boas, todas as coisas, todas, em tudo e em nada, afinal sou nós.

Como queria somente sentir saudade, mas sempre tem algo mais...

Nossos sonhos são a parte melhor de nossas vidas.. Joseph Ernest Renan

Pobre Joseph, talvez fosse mais um desses escritores românticos franceses, que não imaginavam uma sociedade ultra pós-moderna como essa em que vivemos, onde sonhos nada mais são do que simplórios dogmas do passado, onde a Liberdade, tão lutada, reivindicada e conquistada em seu tempo e país, hoje apenas não passa de condicionamento e até a liberdade de sonhar é algo controlável por moralismos, costumes e tradições.

Como então continuar com esse que é o maior de todos os sonhos que estamos aprisionados, que é a liberdade? E que desde os tempos Platônicos almejamos?

Simples, que decretem por Lei Universal o fim dos sonhos de uma vez por todas, já que de sonhos estamos fartos, de sonhos estamos privados e cansados.

Que não sonhem mais, apenas vivam, existam e façam algo para que não mais precisemos sonhar e criar doces deletérios de um mundo melhor, inatingível e querido.

Afinal não estamos no supra-sensível como querem os filósofos, estamos sim confinados a viver conforme ditam as regras e seguimos conforme somos lubrificados, como máquinas, essas quais não sonham, não pensam.

Sejamos apenas máquinas de produzir, criar, destruir, sugar e dormir.

E sejamos principalmente Humanos, livres para ter pesadelos como esse que tive, de um mundo sem sonhos, sem esperança e sempre principalmente o que há de mais essencial em nós que é sonhar!

domingo, 1 de março de 2009

de como preencho os guardanapos quando você não está.

Olha, somente um dia longe dos seus olhos, trouxe a saudade de um amor tão perto, e o mundo inteiro fez-se tão tristonho. Mas, embora agora eu a tenha perto, eu acho graça do meu pensamento a conduzir o nosso amor discreto, sim, amor discreto só para um só pessoa, pois nem de leve sabes que eu te quero e me atrai essa ilusão atoa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Acaso - (parafraseando com Caetano).

Talvez haja entre nós o mais total interdito.
Mas você é bonita o bastante,
Complexa o bastante,
Boa o bastante,
Pra tornar-se ao menos por um instante
A amante do amante
Que antes de te conhecer
Eu não cheguei a ser.
Eu sou um velho,
Mas somos dois meninos.
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha.
Os livros, filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal
eu chegasse a ver que você vinha.
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já uma alegria.

Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu antes, seu agora, seu depois
Sem ser remotamente
Sequer imaginado
Por qualquer um de nós dois.

sábado, 3 de janeiro de 2009

¨Por favor, meu querido, me arranje a glicerina. Eu sei que você é capaz. Se não conseguir, ela morre... e se ela morre, este espetáculo chamado mundo pode bem fechar as portas... podem desmontá-lo, retirar as escadarias, enrolar o céu e colocá-lo num atrelado com um reboque... podem apagar a lindíssma luz do sol, que eu tanto amo.
Sabe por que eu a amo tanto? Porque a amo quando o sol recai sobre ela. Eles podem levar tudo: estes carpetes, estas colunas, estes palácios... a areia, o vento, as rãs, as melancias maduras... a saraiva às 7 da noite, maio, junho, julho, o basílico... as abelhas, o mar, o alho..tudo¨


o tigre e a neve, Roberto Benigni.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

guardanapo.

...quem não ouve a melodia do amar, acha louco quem dança sem par...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Alguém..

Alguém que interprete Metafísica como algo cotidiano,
que perceba que o que une é o que separa, e o que separa é o que mais une.
Alguém cuja vontade maior é não ter vontade alguma e mesmo assim se contentar com toda vontade que tem,
que onde estiver está onde deveria estar, com a noção de que estando onde estiver sempre estará em todos os lugares.
Alguém que sinta, intensamente sentir sem medo algum do que possa gerar ser sentir.
Que não espera mais e mesmo assim sempre está a espera de algo inesperado.
Alguém, alguém, alguém que já passou ou não veio e talvez nem virá, mas que seja alguém,
que possa se debilitar pelo excesso de amar e mais forte ficar pela angústia do mesmo.
Alguém..que aceite passagens somente de ida.